Do futebol ao empreendedorismo

Do futebol ao empreendedorismo

Coragem para novos desafios está entre os lemas do ex-jogador

A semana passada foi marcada pela 14ª edição da Feira de Oportunidades do Senac, que ocorreu de segunda a sexta-feira em todo o Rio Grande do Sul com o objetivo de oportunizar diversas atividades gratuitas voltadas à qualificação profissional. Esse ano o tema do evento foi ‘As oportunidades estão aí. Aproveite’.
No Senac Santa Cruz do Sul o destaque da programação era a palestra do ex-jogador Tinga com o tema ‘Do campo para a vida’, realizada na última sexta-feira, 10 de maio. O ex-jogador da dupla grenal falou sobre sua vida, sua carreira profissional, a sua trajetória do futebol ao empreendedorismo e os principais desafios para quem quer se tornar um empreendedor.

Tinga lembrou dos dizeres do Falcão, que o jogador de futebol morre duas vezes, na aposentadoria e por morte natural, então prometeu para si mesmo que eu não teria essa primeira morte. “Um trabalho que se faz desde pequeno, que você ama fazer, não é fácil, aos 37 anos, na flor da idade, como foi no meu caso, se aposentar. E isso foi um desafio que eu me preocupei antes de jogar. Então comecei a me preparar, voltei a estudar, fiz cursos, escutei algumas coisas para não ter essa dor, essa primeira morte. Hoje tenho tocado os negócios que eu nunca imaginei fazer, pois tinha a mente voltada somente para o futebol, o que proporciona uma ótima carreira, mas, faz a gente viver dentro de uma bolha”, disse. Para Tinga o desafio é levar essas palavras às pessoas, “é possível se reinventar independente da idade, não ter medo de viver o novo, não ter medo de desafios. Hoje vou colhendo as decisões que foram tomadas, uma decisão que junto com ela veio um presente, um brinde e uma consequência”.

Durante a palestra, que está sendo realizada em todo o Brasil, Tinga falou como foi enxergando as oportunidades e as dificuldades que apareceram no caminho. “Eu não sou um palestrante, sou um contador de fatos, vou vivendo a vida, testando, e as coisas vão acontecendo e o que mais me deixa feliz é quando termina a palestra e as pessoas vêm ao meu encontro me abraçar e dizer que foi bom ter escutado alguns valores. É isso que tento transmitir e tem dado certo, e a gente tem conseguido fazer o principal que é mudar a vida das pessoas”, contou.
Para se tornar empreendedor é preciso ter vontade de se superar e isso que fez Tinga entrar nesta área de negócios, “Já era difícil que as coisas dessem certo para mim, pela posição de campo, de jogo, pelo meu tamanho, eu era magro, morava na Restinga, longe de tudo, então acreditar nas coisas que são impossíveis, está comigo até hoje. Devemos fazer novos negócios, não ter medo do novo e entender as tomadas de decisões”.
Ao ver sua mãe chegar com comida todas as vezes que voltava do trabalho Tinga entendeu a importância de trabalhar, “sou um cara que gosta muito de trabalhar. Um dia me falaram em uma palestra que eu tive um pouco de sorte e me perguntaram se eu acreditava em sorte e eu disse que não acreditava nem desacreditava, mas se ela existia devia ser muito inteligente, pois ela sempre escolhe quem está preparado, trabalhando, quem tem coragem e eu sigo chamando a atenção da sorte”.

E neste espírito de trabalho, desafios e vontade de vencer, Tinga empreendeu e falou à quem tem a vontade de crescer neste ramo profissional: “a única dificuldade do empreendedorismo é achar que empreender não é trabalhar. Empreender é aprender e trabalhar, não é ser dono de um negócio e trabalhar menos, é trabalhar mais, para si, e as pessoas devem ter conhecimento do que é ser empreendedor e suas responsabilidades”, explicou.
Tinga acha que a educação das escolas deve evoluir, pois atualmente não há preparação para ser um empreendedor, “para podermos acompanhar essa onda do empreendedorismo, a nossa educação precisava evoluir um pouco mais e dar essa base em aula, do que é ser patrão, o que é um imposto de renda, pois as mudanças vieram pra nós e não estamos preparados. Quando fiz o primeiro e o segundo grau em nenhum momento me falaram quanto era o imposto de uma pessoas física e de uma pessoas jurídica, então acho que a nossa educação tem que acompanhar essas mudanças, se não, vamos trabalhar, ganhar um x e achar que esse valor é nosso, mas na verdade não é, temos impostos e diversas responsabilidades”.

Momentos marcantes no futebol

Tudo deu certo na vida do Tinga porque ele nunca perdeu a esperança e sempre acreditou em seu potencial, desde quando era criança, até a vida profissional. E dos momentos que mais marcaram sua vida durante a carreira como jogador de futebol está o gol que deu o título de Campeão da Libertadores ao Inter em 2006. “Eu tive vários momentos marcantes, desde o primeiro dia, quando fiz minha estreia pelo Grêmio, que me deu a oportunidade de entrar para o profissional, mesmo sendo colorado de infância. Mas, o momento mais importante foi fazer um gol numa final de Libertadores, dar um título ao clube que sempre sonhei em jogar, e poder estar participando de um time que não tinha uma conquista internacional, apesar do nome. Poder fazer o gol e estar levando meu time a ser campeão foi o momento mais importante”, destacou.

Projetos Sociais BOX

Tinga carrega a solidariedade desde quando entrou no ônibus para fazer os testes de futebol. Atualmente conta com dois projetos sociais, sendo um deles para crianças no Morro Santana na Zona Norte, chamado Esperança de Cristo, juntamente com o Marcelo Grohe, o zagueiro do Cruzeiro, Leo, e o Pereira ex-jogador do Grêmio.
O outro projeto, criado há três anos, é o Centro de Recuperações para dependentes químicos, Caverna de Adulão, localizado na Restinga. Conforme Tinga o nome do projeto foi escolhido devido a passagem da bíblia, onde só se reuniam no Adulão os renegados. “Estamos tentando, não é fácil, mas, Deus está provendo e daqui a pouco as coisas melhoram, disse”.

“Para se tornar empreendedor é preciso ter vontade de se superar”. Tinga

Crédito: Sara Rohde – [email protected]

Riovale Jornal, edição de 14/05/2019.

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